O mundo de Monteiro Lobato – #1 parte

Nesse mês, o terceiro livro do nosso DESAFIO: Caçadas de Pedrinho foi escrito por um dos mais influentes escritores brasileiros de todos os tempos, Monteiro Lobato!

Por isso… resolvemos escrever um pouquinho sobre ele e desvendar o seu mundo, sua vida e sua obra.

Vamos lá!

José Bento Monteiro Lobato (Taubaté, 1882 – São Paulo, 1948)
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Escritor brasileiro, nasceu em 18 de abril de 1882, na cidade de Taubaté, interior de São Paulo. Criado em um sítio, Monteiro Lobato foi alfabetizado pela mãe, Olímpia Augusta Lobato, e depois por um professor particular. Aos sete anos, entrou em um colégio. Nessa idade descobrira os livros de seu avô materno, o Visconde de Tremembé, dono de uma biblioteca imensa no interior da casa. Leu tudo o que havia para crianças em língua portuguesa.

Nos primeiros anos de estudante já escrevia pequenos contos para os jornaizinhos das escolas que frequentou. Ao receber como herança antecipada uma bengala do pai, que trazia gravada no castão as iniciais J.B.M.L., mudou seu nome de José Renato para José Bento, a fim de utilizá-la. Em dezembro de 1896 foi para São Paulo e, em janeiro de 1897, prestou exames das matérias estudadas na cidade natal, mas foi reprovado no curso preparatório e retornou a Taubaté.

Quando retornou ao Colégio Paulista, fez as suas primeiras incursões literárias como colaborador dos jornaizinhos “Pátria”, “H2S” e “O Guarany”, sob o pseudônimo de Josben e Nhô Dito. Passou a colecionar avidamente textos e recortes que o interessavam, e lia bastante. Em dezembro prestou novamente os exames para o curso preparatório e foi aprovado. Escreveu minuciosas cartas à família, descrevendo a cidade de São Paulo.

No ano seguinte, a 13 de junho de 1888, perdeu o pai, José Bento Marcondes Lobato, vítima de congestão pulmonar. Decidiu, pela primeira vez, participar das sessões do Grêmio Literário Álvares de Azevedo do Instituto Ciências e Letras. Sua mãe, vítima de uma depressão profunda, veio a falecer no dia 22 de junho de 1899.

Tendo forte talento para o desenho, pois desde menino retratava a Fazenda Buquira, tornou-se desenhista e caricaturista nessa época. Em busca de aproveitar as suas duas maiores paixões, decidiu ir para São Paulo após completar 17 anos.

Seu sonho era a Escola de Belas-Artes, mas, por imposição do avô, que o tinha como um sucessor na administração de seus negócios, acabou ingressando na Faculdade do Largo São Francisco para cursar Direito. Mesmo assim, seguiu colaborando em diversas publicações estudantis e fundou, com os colegas de sua turma, a “Arcádia Acadêmica”.

Nessa época, todos o elogiavam como um comentarista original e dono de um senso fino e sutil, de um ‘espírito à francesa’ e de um ‘humor inglês’ imbatível. Era anticonvencional por excelência, dizendo sempre o que pensava, agradasse ou não. Defendia a sua verdade com unhas e dentes, contra tudo e todos, quaisquer que fossem as consequências.

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Monteiro Lobato, Purezinha e seus filhos Marta, Edgard, Guilherme e Ruth, 1926

Em 1904 se diplomou bacharel em Direito e regressou a Taubaté. No ano seguinte fez planos de fundar uma fábrica de geleias, em sociedade com um amigo, mas passou a ocupar interinamente a promotoria de Taubaté e conheceu Maria Pureza da Natividade de Souza e Castro (“Purezinha”). Em maio de 1907 foi nomeado promotor público em Areias e se casou com Purezinha a 28 de março de 1908. Exatamente um ano depois nasceu Marta, a primogênita do casal.

Em 1910 se associou a um negócio de estradas de ferro e nasceu o seu segundo filho, Edgar. Viveu no interior e nas cidades pequenas da região, escrevendo paralelamente para jornais e revistas, como A Tribuna de Santos, Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro e a revista Fon-Fon, para onde também mandava caricaturas e desenhos. Passou a traduzir artigos do Weekly Times para o jornal O Estado de São Paulo e obras da literatura universal, também enviando artigos para um jornal de Caçapava.

No ano seguinte, aos 29 anos, Lobato recebeu a notícia do falecimento de seu avô, o Visconde de Tremembé, tornando-se então herdeiro da Fazenda Buquira, para onde se mudou com toda a família. De promotor a fazendeiro, dedicou-se à modernização da lavoura e à criação. Com o lucro dos negócios, abriu um externato em Taubaté, que confiou aos cuidados de seu cunhado. Em 1912 nasceu Guilherme, o seu terceiro filho.

Nessa mesma época, na Vila de Buquira, hoje município de Monteiro Lobato, estado de São Paulo, se envolveu com a política e logo a deixou de lado. Sua quarta e última filha, Rute, nasceu em fevereiro de 1916, quando iniciava colaboração na recém fundada Revista do Brasil. Era uma publicação nacionalista que agradou em cheio o gosto de Lobato.

Somente em 1914, como fazendeiro em Buquira, um fato definiria de vez a sua carreira literária: durante o inverno seco daquele ano, cansado de enfrentar as constantes queimadas praticadas pelos caboclos, o fazendeiro escreveu uma ‘indignação’ intitulada Velha Praga, e a enviou para a seção Queixas e Reclamações do jornal O Estado de São Paulo, edição da tarde. O jornal, percebendo o valor daquela carta, publicou-a fora da seção que era destinada aos leitores, no que acertou, pois a carta provocou polêmica e fez com que Lobato escrevesse outros artigos como, por exemplo, Urupês, dando vida a um de seus mais famosos personagens, o Jeca Tatu.

A partir daí, os fatos se sucederam: a geada, sobre a qual deixou uma crônica, e as dificuldades financeiras levaram-no a vender a Fazenda Buquira, em 1916, e a partir com a família para São Paulo, com o intuito de tornar-se um ‘escritor-jornalista’. Em 1917, organizou para o jornal O Estado de São Paulo uma imensa e acalentada pesquisa sobre o Saci-Pererê.

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Monteiro Lobato sentado sobre o joelho do escritor Oswald de Andrade, 1915

Como é do perfil de Monteiro Lobato, as suas obras literárias não poderiam conter características diferentes, como o regionalismo e a análise da realidade brasileira. Essas últimas propriedades são integrantes da escola literária que Lobato pertence: o Pré-modernismo. No entanto, o autor era totalmente avesso ao Modernismo e suas revoluções artísticas, fato que ficou bem claro com o artigo intitulado Paranoia ou mistificação? Em relação à exposição de Anita Malfatti em 1917.

Em 1918, Monteiro Lobato comprou a Revista do Brasil e passou a dar espaço para novos talentos, ao lado de pessoas famosas. Tornou-se, dessa forma, um intelectual engajado na causa do nacionalismo, a qual dedicou uma preocupação fundamental, tanto na ficção, quanto no ensaio e no panfleto. Crítico de costumes, no qual não faltava a nota do sarcasmo e da caricatura, de sua obra elevou-se largo sopro de humanidade e brasileirismo. Nas mãos de Monteiro Lobato, a Revista do Brasil prosperou e ele pode montar uma empresa editorial, sempre dando espaço para os novatos e divulgando obras de artistas modernistas.

Em 1920, o conto Os Faroleiros serviu de argumento para um filme dirigido pelos cineastas Antônio Leite e Miguel Milani. Meses depois, publicou A menina do Narizinho Arrebitado, sua primeira obra infantil, e que deu origem a Lúcia, mais conhecida como a Narizinho do Sítio do Picapau Amarelo. O livro foi lançado em dezembro de 1920 visando aproveitar a época do Natal. A capa e os desenhos eram de Lemmo Lemmi, um famoso ilustrador da época.

Por uma grave seca e a desvalorização da moeda, Lobato entrou com pedido de falência em julho de 1925. Mesmo assim não significou o fim de seu projeto editorial. Ele já se preparava para abrir outra empresa, a Companhia Editora Nacional, em sociedade com Octalles Marcondes e, em vista disso, se mudou para o Rio de Janeiro.

Nomeado adido comercial em Nova York, muda-se para os Estados Unidos por quatro anos, entre 1927 a 1931, onde se surpreende com a exploração dos recursos minerais. Ao retornar para o Brasil fundou o Sindicato do Ferro e a Cia. Petróleos do Brasil e passou a apoiar a extração do petróleo do subsolo brasileiro.
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Diante da sua revolta quanto à monopolização do petróleo por empresas privadas, escreveu o livro O escândalo do petróleo. Em fevereiro de 1939 morreu Guilherme, seu terceiro filho. Monteiro Lobato envia a Getúlio Vargas carta acusando o Conselho Nacional do Petróleo de agir contra os interesses do País. Por causa dela, é detido em São Paulo no início do ano seguinte e condenado a seis meses de prisão.

Mesmo em liberdade, Monteiro Lobato não teve mais tranquilidade, e seu filho mais velho, Edgar, morreu em fevereiro de 1942, exatamente três anos depois do falecimento de Guilherme. Em 1943 foi fundada a Editora Brasiliense por Caio Prado Júnior, que negociou com Lobato a publicação de suas obras completas. Logo em seguida, por ironia do destino, recusou a indicação para a Academia Brasileira de Letras.

Suas companhias foram liquidadas e a censura da ditadura faz com que Lobato se aproximasse dos comunistas. Em 1945, o livro Reinações de Narizinho é traduzido e lançado na Itália com o título Nasino e ilustrada por Vincenzo Nicoletti. Em maio A menina do Narizinho Arrebitado foi transformada em radionovela para crianças pela Rádio Globo no Rio de Janeiro.

No ano seguinte, vai morar em Buenos Aires, Argentina, onde funda duas editoras, retornando ao Brasil um ano depois. Antes de partir, tornou-se sócio da Editora Brasiliense a convite de Caio Prado Júnior que, na sua editora, preparava as Obras Completas já traduzidas para o espanhol e editadas na Argentina.

Monteiro Lobato morreu em julho de 1948, aos 66 anos, de um segundo espasmo cerebral. Sob forte comoção nacional, seu corpo foi velado na Biblioteca Municipal de São Paulo e o sepultamento realizado no Cemitério da Consolação.

Pois é… essa é a história do precursor da literatura infantil no Brasil. Um verdadeiro nacionalista!

Bom… fique atento ao próximo post que descobriremos as obras desse escritor extraordinário. Até lá!

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