O mundo de Monteiro Lobato – #3 parte

Monteiro Lobato é, sem dúvida, o mais importante nome da literatura infantil nacional. Sua obra de maior grandiosidade ainda atravessa gerações e consegue se adaptar aos novos tempos.

O Sítio do Picapau Amarelo ainda consegue conquistar as crianças de nossa atualidade e trazer a fantasia, de volta, para os adultos que um dia também foram crianças.

Hoje, iremos descobrir o mundo das séries do Sítio do Picapau Amarelo que fizeram história na TV Brasileira!

Vamos lá!

Primeira Série (1952-1962, TV Tupi)
MA_40
A primeira adaptação para a televisão foi exibida de 3 de junho de 1952 a 1962, na TV Tupi, ao vivo, no programa Teatro Escola de São Paulo, criado por Júlio Gouveia e Tatiana Belinky. A história escolhida para inaugurar o programa foi A Pílula Falante, um dos capítulos do livro Reinações de Narizinho.

O programa ficou no ar por dez anos e foi um grande sucesso da emissora, chamando a atenção de anunciantes e se transformando no primeiro programa de TV a utilizar a técnica do merchandising. A série não tinha intervalo comercial e os produtos como biotônicos e vitaminas eram inseridos durante a história, através dos atores que viviam os famosos personagens da série de Monteiro Lobato.

A produção da série era reduzida a um único cenário fixo, a varanda do sítio, na qual ocorria a maioria das cenas. Os demais eram montados na hora dependendo das exigências de cada história. Também não havia efeitos especiais e muitas das mágicas precisavam ser adaptadas aos recursos da época. A principal era a viagem no tempo e no espaço proporcionada pelo pó de Pirlimpimpim. Para caracterizar seus efeitos, os atores cheiravam um pouco de pó, cujos efeitos os deixavam tontos. A câmera perdia o foco e, ao retornar, apresentava os personagens em um novo cenário, para o qual os atores corriam enquanto estavam fora de foco.

Cada episódio tinha a duração de 45 minutos. Iniciado com o tema da música “Dobrado”, composta por Salatiel Coelho, e com imagens de Júlio Gouveia abrindo um livro para contar uma história. O episódio terminava com a imagem de Gouveia fechando o livro. Mas a série encerrou a produção em 1962, com um total de 360 episódios, quando Júlio Gouveia afastou-se de seu trabalho na televisão.

No elenco, Lúcia Lambertini vivia a primeira Emília da TV, assim como David José que foi o Pedrinho, Edy Cerri deu vida a Narizinho, Rubens Molino era o Visconde de Sabugosa, Sydneia Rossi a Dona Benta e Benedita Rodrigues a Tia Nastácia.

MA_41
Sítio do Picapau Amarelo – TV Tupi Rio de Janeiro

Em setembro de 1957 a série estreou na TV Tupi do Rio de Janeiro, dirigida por Mauricio Sherman. Lúcia Lambertini também vivia Emilia na TV Tupi do Rio de Janeiro, respectivamente com a série produzida pela TV Tupi de São Paulo. No elenco, nomes como André José Adler era Pedrinho, Leny Vieira era Narizinho, Iná Malaguti como Dona Benta, Zeni Pereira como Tia Nastácia, Elísio de Albuquerque como Drº Caramujo e Daniel Filho, em seu início de carreira, vivendo o inteligente sabugo de milho, Visconde de Sabugosa.

Segunda Série (1964, TV Cultura)
MA_42
A atriz e diretora Lúcia Lambertini trouxe a série pra a TV Cultura de São Paulo. Ela foi produzida durante seis meses mas não repetiu o sucesso alcançado na TV Tupi. No elenco, os mesmos atores da versão da TV Tupi viviam Emília, Narizinho e Pedrinho. Já o Visconde era interpretado por Roberto Orosco, Dona Benta por Leonor Pacheco e Tia Nastácia por Isaura Bruno.

Terceira Série (1967-1969, TV Bandeirantes)
MA_43
Em 12 de dezembro de 1967, Júlio Gouveia e Tatiana Belinky traziam o Sítio de volta à TV, agora pela TV Bandeirantes e com o patrocínio do Bolo Pullman.

A série ganhava o cenário de um sítio de verdade e ganhava um tema de abertura assinado por Salatiel Coelho, além de usar o recurso de vídeo-tape. Cada episódio tinha 30 minutos e a série ficou no ar por dois anos, até 1969.

Os atores começaram a ser substituídos por outros no decorrer do seriado e Zodja Pereira assumiu a Emília, Silvinha Lanes a Narizinho e Ewerton de Castro o Visconde de Sabugosa.

Quarta Série (1977-1986, Rede Globo)
MA_44
Foi em 1976, que o programa começou a ser idealizado na Rede Globo. E teve sua estreia em 07 de março de 1977. Como locação, precisamente, foi a conhecida casa, situada em Barra de Guabiraba, no Rio de Janeiro.

O impressionante é que a casa era pequena, mas no ar, dava impressão proposital, que tinha mais cômodos do que na realidade. A casa real tinha horta, animais, como num sítio de verdade, mas as cenas internas eram filmadas em Jacarepaguá.

Autores e diretores do programa tiveram o cuidado de preservar a obra original de Monteiro Lobato. As alterações foram apenas em relação a linguagem contemporânea daquele ano, além da parte rural do programa.

O personagem Pedrinho era o elo de ligação entre o universo rural da série, vindo de contraste com as experiências do personagem que vinha da cidade grande, para passar as férias no sítio da avó Benta. Nesta questão, o diretor Geraldo Casé, teve uma preocupação maior em não urbanizar demais a série, adaptando-a a época atual, estimulando a admiração do telespectador, sem correr o risco de perder a essência rural do original de Monteiro Lobato.

Don Quixote foi o episódio piloto que estreou na TVE em 7 de março de 1973, produção específica como teste de audiência, sendo praticamente o mesmo elenco da versão estreada em 1977. O sucesso do piloto, fez com que a produção do Sítio do Picapau Amarelo começasse em 1976, porém, teve sua estreia no ano seguinte, precisamente em 7 de março de 1977.

A equipe de produção viria com uma proposta inicial de 265 episódios, que rapidamente foram aumentados por conta do grande sucesso da série, que acabou durando 9 anos no ar, com 1.436 capítulos, chegando a ganhar um prêmio da UNESCO como melhor programa em 1979.

Os primeiros bonecos do programa foram criados por Ruy de Oliveira e Marie Louise Néri, os figurinos cuidadosamente criados para dar um ar contemporâneo sem muita modernidade foram desenvolvidos por Arlindo Rodrigues, que também era responsável pelos cenários.
MA_45
Durante os nove anos de exibição o programa sofreu várias modificações de elenco, autores e diretores, tendo sempre a direção geral de Geraldo Casé. Principalmente em relação as crianças que faziam os personagens Pedrinho e Narizinho, ao longo dos anos, eles cresciam e tinham que ser trocados por atores crianças. Durante esse período o programa contou com:

Júlio César que foi o primeiro Pedrinho da produção da Rede Globo e atuou de 1977 a 1980. Júlio César foi substituído por Marcelo José (Pedrinho de 1981 a 1984) e Daniel Lobo foi o Pedrinho de 1985 e 1986.

As atrizes que interpretaram Narizinho foram: Rosana Garcia (Narizinho de 1977 a 1980), Daniele Rodrigues (Narizinho de 1981 e 1982), Isabela Bicalho (Narizinho de 1983 e 1984) e Gabriela Serna (Narizinho de 1985 e 1986).

A personagem Emília também foi vivida por três atrizes diferentes: Dirce Migliaccio (Emília em 1977), Reny de Oliveira (Emília de 1978 a 1982) e Suzana Abranches (Emília de 1983 a 1986).

Algumas atrizes também fizeram a Cuca, mesmo que sua fantasia a impedisse que fossem percebidas pelas crianças. Foram elas: Dorinha Durval (Cuca de 1977), Stela Freitas (Cuca de 1978 a 1980), Catarina Abdalla (Cuca de 1981 a 1984) e Rosana Israel (Cuca de 1985 a 1986).

O curioso era que, as crianças que assistiam o programa não rejeitavam as mudanças sofridas em relação as trocas dos atores que viviam os personagens principais. Mesmo com todas essas trocas de Pedrinho e Narizinho, durante a fase de crescimento dos atores, o sítio não deixava de conquistar novos adeptos ao longo do tempo e os adultos também se tornaram seus grandes admiradores.

Zilca Salaberry (Dona Benta), Jacira Sampaio (tia Nastácia) e André Valli (Visconde de Sabugosa), foram os atores que prevaleceram até o término desta fase do programa na Globo.
MA_46
O Sítio tinha personagens secundários, porém com grande propriedade e importância na série, como Tio Barnabé e o coronel, que era a figura fiel de Monteiro Lobato.

No Sítio também existia um burro falante, que todos o chamavam assim mesmo. O curioso é que o ator José Mayer, era quem dublava a voz do burro, a partir de 1981. Antes, o animal era dublado por Ivan Setta.

Arraial de Tucanos era o nome da fictícia cidade da série. No Arraial localizava-se o comércio da cidade, como a mercearia de Elias, personagem inicialmente vivido pelo ator Germano Filho que foi substituído por Francisco Nagen em 1978, ficando até 1986. O Arraial de Tucanos ainda tinha uma barbearia, uma farmácia, a igreja da cidade e a casa da beata Dona Esperança. Carlos Izaias Adib viveu o carteiro, Waldir Maia viveu Quirino e Lajar Muzuris foi Seu Boticário.

A série fez tanto sucesso que o elenco principal chegou a fazer algumas apresentações Brasil a fora. A turma do Sítio também chegou a lotar o Maracanã num show.

A trilha sonora foi dirigida por Dory Caymmi e era formada por temas essencialmente nacionais, ressaltando a mitologia e o folclore. Destaca-se a música tema da abertura composta por Gilberto Gil, Sítio do Picapau Amarelo. Em 1979 foi criada uma nova trilha sonora, desta vez os próprios atores participavam do disco representando seus respectivos personagens. Já em 1983, o compositor Ricardo Vilas criou uma trilha complementar para os personagens, tendo no disco nomes como Gonzaguinha, Beto Guedes e Nana Caymmi.

Quinta Série (2001-2007, Rede Globo)
MA_47
Em julho de 2000, a Rede Globo assinou um contrato de 10 anos com os herdeiros de Monteiro Lobato, para produzir uma nova adaptação para a televisão das histórias do Sítio do Picapau Amarelo, e no dia 12 de outubro de 2001, passou a exibi-la.

O programa começou sendo exibido dentro da TV Globinho, mas depois ganhou seu próprio horário na grade de programação da Globo. Inicialmente foram adaptados os livros, depois foram utilizados os mesmos personagens em novos argumentos e histórias.

Nesta versão a boneca Emília foi interpretada por uma criança, a atriz mirim Isabelle Drummond. Uma outra coisa diferente nessa versão é que a personagem Tia Nastácia agora era vivida por uma atriz mais magra, Dhu Moraes. Porém, a personagem Nastácia era mais conhecida popularmente pela imagem de uma mulher gorda, tanto pelas ilustrações dos livros como em outras adaptações para TV; por causa disso algumas temporadas depois, a produção pediu para que atriz engordasse um pouco e usasse um pouco de enchimento no vestido.

O interessante é que a Tia Nastácia do livro era inspirada em uma mulher magra, chamada Anastácia, que realmente existiu e trabalhava na casa de Monteiro Lobato, como cozinheira e babá dos filhos dele. Ela é descrita como uma negra alta, magra, de canelas e punhos finos. Quando vivo, Monteiro Lobato contou ao jornalista Silveira Peixoto em uma entrevista, que se inspirou nela para criar a personagem de seus livros.

Nos primeiros episódios eram usados efeitos especiais de Chroma Key para que o Visconde de Sabugosa parecesse ter mesmo o tamanho de um sabugo de milho. Mas no final de 2002, essa técnica foi deixada de lado, porque no programa, o Visconde tomou uma pitada de fermento e ficou do tamanho de uma pessoa normal.

A nova versão do Sítio pôde trazer de volta o “Pó de Pirlimpimpim”, que na versão anterior de 1977 havia sido transformado em um tipo de ‘palavra mágica’ para evitar comparações com a cocaína; deste modo, os moradores do Sítio apenas gritavam: “Pirlim Pim Pim” para viajarem de um lugar para outro. Nos livros de Monteiro Lobato, o pó era aspirado com o nariz pelos personagens; já na versão de 2001 ele passou a ser um pó jogado em cima das cabeças dos personagens, assim como o “Pó Mágico”, do livro Peter Pan de J. M. Barrie.

Outra coisa que havia sido censurada na versão dos anos 70, e foi trazida de volta na nova versão é o costume que Emília tem de inventar suas próprias palavras. A censura da década de 70 não permitia que a Emília da TV alterasse ou falasse palavras da gramática a seu próprio modo, como: “Bissurdo”, “Arimética”, ou “Obóvio”.

A primeira temporada, durou do final de 2001 até o ano de 2002, contando as histórias de Monteiro Lobato, depois naquele mesmo ano, após as histórias dos livros terem acabado, iniciou-se outra fase do programa, com novas histórias feitas para a televisão. Mas, no caso da versão de 2001, as tramas dos livros acabaram mais depressa, pois, na primeira temporada as histórias eram contadas em um ritmo mais rápido, parecido com o de um desenho animado, e cada livro durava uma semana para ser contado (ou duas, como em Os Doze Trabalhos de Hércules). Já na versão dos anos 70, as histórias demoravam mais tempo sendo adaptadas para TV, com alguns textos tirados dos livros e outros criados para a televisão, e duravam normalmente um mês.

Em 2007, a Globo produziu uma nova versão do Sítio. Com a saída de Isabelle Drumonnd, que deixava de viver a boneca Emília, entrava a atriz Tatyane Goulart, para viver o mesmo papel, voltando a ser interpretado por uma adulta, como as outras produções da TV.

Esta versão também contou com uma cidade cenográfica que retratava a fictícia cidade de Arraial dos Tucanos, cidade essa que também fazia parte da versão produzida pela Rede Globo, nos anos 80. Por sinal, esta última versão foi a que mais se pareceu com as antigas versões da Globo para o Sítio.

Legal não é mesmo!? Deixo com vocês um vídeo com as aberturas da Quarta Série do Sítio do Picapau Amarelo.

Pois é… não tem como não recordar a infância, não é mesmo!?

Bom… fique atento ao próximo post que será o último da série O Mundo de Monteiro Lobato. Até lá!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s